Myrica Faial Permaculture Farm

Ervas Aromáticas Fruta Hortícolas Ovos

A cinco quilómetros do Vulcão dos Capelinhos, no Faial, Julien Floro e Sofia Gigante desenvolveram um projeto de permacultura que produz anualmente mais de 50 espécies de frutas e hortícolas. O nome homenageia a árvore que batizou o Faial: a Myrica Faya. 

Cabeço Verde, Capelo
9900, Faial Island, Azores
Como chegar

+351  933 116 951
myricafaialfarm@gmail.com

Instagram / @myricafaialfarm
Facebook / @myricafaialpermaculturefarm


Venda
Horta Municipal Market
Every Saturday

Apresentado por
Inês Matos Andrade


Texto de Inês Matos Andrade
Fotografias de João Wengorovius

Na ponta mais Oeste da ilha do Faial, a cinco quilómetros daquele que foi um dos mais significativos fenómenos da história da vulcanologia – o Vulcão dos Capelinhos –, está a Myrica Faial Permaculture Farm, o projeto iniciado por Julien Floro e Sofia Gigante em 2017.

Sofia, natural de Torres Vedras e licenciada em Biologia Marinha, e Julien, nado em Loulé e com mestrado em Conservação Marinha e Biodiversidade, deixaram para trás um percurso académico que os levou de África à América do Sul, para viverem no Faial, e iniciar este projeto: “ponderámos comprar um terreno no Algarve, mas era muito caro e a agricultura lá é mais difícil”, explica Julien, sobre o motivo que os levou a adquirir estes sete hectares. “Escolhemos o Capelo porque o resto da ilha está muito saturada com a indústria da carne e dos lacticínios.”

O casal demorou seis mesas a limpar a floresta que havia tomado o terreno, desde a erupção dos Capelinhos, em 1958, cortando árvores moribundas, mas mantendo as espécies endémicas.

Em regime biológico desde 2018, a Myrica Farm aplica princípios de agricultura regenerativa e permacultura que vão muito além dos critérios da certificação. O terreno tem quase três metros de areia e pouca rocha, e o grande desafio é garantir o aporte de matéria orgânica, o que conseguem com lascas de madeira, estrume e a aplicação de vetiveres secos, uma planta herbácea usada na indústria da perfumaria e que, na Myrica Farm, marcam a paisagem, tanto em corredores verdes ao longo dos campos, como em mantos secos e dourados sobre as plantações.

Todas as construções da quinta foram feitas à mão, das estufas ao galinheiro, a partir de paletes, cal, areia e aparas de madeira, inspiradas nas produções ecológicas de casas em cânhamo. “As nossas estufas estão construídas de forma a resistirem a furacões. Usamos tudo o que podemos nas construções”, conta, apontando para umas portas de máquinas de lavar roupa a fazer de janelas no tanque da propriedade.

Praticam uma agricultura bio intensiva em solo vivo, sem cavar, focando sempre na regeneração do solo, respeitando a teia alimentar da rede trófica, de forma a conservar energia na produção, resgatar água, proteger do vento e garantir uma boa exposição solar. “Queremos melhorar a sustentabilidade do solo. O futuro passa não por produzir mais, mas por produzir melhor.” Julien e Sofia pretendem diversificar ainda mais a produção, criar porcos, além dos patos, galinhas e cabras que já vivem na quinta. Mais a frente, querem criar um Azorean Gastro Lab, um conceito de cozinha comunitária.

Anualmente, produzem mais de 50 espécies diferentes de frutas e legumes, como kale, canónigos, cebolinha, rabanetes, pastinaca, batata-doce, cebola, beterrabas, alfaces, milho, tomates, beringela, pimentos, e muitos outros produtos. Nas frutas, plantam melancia, bananas, anonas, citrinos, ameixas, maçã, papaias, mangas e pitaias. 

Vendem todos os sábados no Mercado Municipal da Horta, avulso, apenas em embalagens de papel. “Queremos que os nossos produtos sejam o mais frescos possível, por isso, focamo-nos em comercializá-los no triângulo Faial, Pico e São Jorge.”