Jardim do Sardão

Citrinos

Um jardim de citrinos no coração do Ribatejo.

Rua dos Piricas 27
2080-559 Fazendas de Almeirim

T. +351931696355

www.jardimdosardao.pt
jardimdosardao@outlook.pt
Instagram/ @jardimdosardao

 


Fotografias de Arlindo Camacho

O Jardim do Sardão nasceu em 2020 na Charneca, em Fazendas de Almeirim, no coração do Ribatejo. Começou como um pequeno projeto pessoal de Gonçalo Reguinga, movido pela curiosidade e pela vontade de descobrir citrinos diferentes dos que habitualmente encontramos.

A ligação à terra vem de muito antes. Gonçalo cresceu numa família de agricultores, rodeado de campos, pomares e produtos cultivados pelos avós. O terreno onde hoje crescem os citrinos era, aliás, o antigo pomar de ameixeiras do avô. Essa herança acabou por se cruzar, mais tarde, com o seu percurso na cozinha.

Formado em cozinha em Santarém e em Lisboa, Gonçalo começou a olhar de forma diferente para os ingredientes: a sua origem, os aromas, a qualidade. O momento decisivo aconteceu durante um estágio no Belcanto, onde teve o primeiro contacto com a lima kaffir. “Adorei aquele citrino e ficou-me na cabeça”, recorda. Mas encontrá-lo era outra história: “Era quase impossível encontrar isto no mercado.” Chegou a contactar produtores para os conhecer, sem nunca obter resposta. A solução acabou por ser outra: se não conseguia chegar aos citrinos, os citrinos viriam até ele.

Entre 2019 e 2020 plantou as primeiras duas ou três árvores no quintal. Depois juntou mais uma, e mais outra. Algumas foram encomendadas de Itália e de França, porque muitas destas variedades eram impossíveis de encontrar em Portugal. “Só conhecia a lima kaffir. Não conhecia a mão de Buda, nem o yuzu, nem mais nenhum”, conta. Na maioria dos casos, plantou árvores sem saber como seriam os frutos. Foi através do cultivo, da observação, da colheita e da prova que começou verdadeiramente a descobrir cada variedade.

Assim, o jardim transformou-se num espaço de coleção, experimentação e aprendizagem. Há três anos o projeto deu um salto, e hoje o Jardim do Sardão conta com mais de 200 árvores e uma coleção de 20 referências dedicada aos citrinos ancestrais, raros e pouco conhecidos, muitos deles com particular interesse gastronómico. Entre eles estão o yuzu, o sudachi, a lima kaffir, a mão de Buda (também na versão variegata), o limão caviar rosa, verde e roxo, o kumquat, o limequat, a bergamota, a cidra, a lima Pursha, a laranja sanguínea, a laranja Arcobal, o limão Mellerosa, o limão Galego, o limão Tigre Rosa e o eremorange. E a coleção continua a crescer, com novas plantas em observação.

Para Gonçalo, conhecer um citrino não significa apenas provar o fruto. Significa compreender a planta e tudo o que a rodeia: o solo, a água, a cobertura vegetal, a biodiversidade, a poda, a floração, as pragas, o frio, o calor e o tempo. Por isso, o Jardim do Sardão é também um laboratório vivo. Cada árvore permite perceber como diferentes variedades se adaptam às condições do Ribatejo, e cada colheita acrescenta conhecimento.

Esse espírito de aprendizagem estende-se à sala de aula. Gonçalo dá hoje formação na escola onde estudou, em Santarém, e continua na cozinha todos os dias, agora a ensinar uma nova geração de cozinheiros.

Uma das ambições do projeto é tornar estes produtos acessíveis a quem os procura, sobretudo a cozinheiros que, tal como Gonçalo, sentem dificuldade em encontrá-los. Os citrinos do Jardim do Sardão já chegam a restaurantes como o Yakuza e o Vila Joya, e a lojas em Lisboa através de distribuição especializada.

O Jardim do Sardão envia também encomendas diretamente para todo o país, com uma disponibilidade sazonal que acompanha a produção de cada árvore. Ainda assim, o objetivo nunca foi a produção em grande escala, mas sim a qualidade, a descoberta e a partilha.

Hoje, a missão do Jardim do Sardão é preservar e dar a conhecer esta diversidade de citrinos, produzir frutos de elevada qualidade e continuar a aprender com cada variedade, respeitando a terra, os ciclos naturais e o conhecimento acumulado ao longo do tempo. O projeto continua a crescer com a mesma ideia que lhe deu origem: plantar, observar, descobrir e partilhar.