João Araújo cria animais da raça Cachena na Branda da Aveleira, em Melgaço, e é o responsável pela primeira marca de carne biológica do concelho.
Branda da Aveleira
Melgaço
Como chegar
João Araújo +351 933 188 368
Apresentado por
João Rodrigues
Texto de Teresa Castro Viana
Fotografias de Joana Freitas
Foi há quase duas décadas, com a ajuda do pai, que João Araújo, 42 anos, comprou os primeiros animais. “Eram sete.” Atualmente, tem ao seu cuidado mais de 150 cabeças de gado, maioritariamente da raça Cachena.
Os animais desta raça bovina autóctone, explorada sobretudo na zona montanhosa do Minho, entre os distritos de Viana do Castelo e Braga, são de pequeno porte – a raça Cachena é uma das mais pequenas do mundo – e distinguem-se pelos seus cornos espiralados “estilo saca-rolhas” e por alguma rusticidade, condizente com a região.
A tal que se respira na Branda da Aveleira, freguesia de Gave, concelho de Melgaço, às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde João passa os seus dias. Utilizada desde o século XII, na altura da primavera e do verão, como branda de pastoreio – “os brandeiros vinham com os rebanhos, na altura mais quente do ano, e deixavam os terrenos mais baixos, as inverneiras, livres para semear os milhos”, conta –, é hoje também a casa destes animais, que pastam a 1120 metros de altitude, livres e em sossego.
Alimentam-se de milho, “o que lhe vai dar aquela gordura entremeada”, explica o pastor, e de rações certificadas e biológicas. E quando é assim, “quando são bem tratadinhas”, garantem uma carne “suculenta, rosadinha e tenra”, como a que produz.
Falamos da carne da Aveleira Bovi Bio, marca que criou após a pandemia e que lhe valeu o rótulo de primeira carne com certificação biológica do concelho. Pode prová-la n’O Brandeiro, restaurante local, ou encontrá-la em diversos estabelecimentos minhotos, de Monção a Valença, de Viana do Castelo a Ponte de Lima.