Quinta Anema

Queijo Gouda

“A produção de queijo também serve para criar trabalho para a sociedade, sobretudo para os jovens que, hoje em dia, só sabe fazer isto”, diz Jan Anema, exemplificando, com os polegares, os movimentos feitos no telemóvel. “Não têm calos nas mãos. Só nas pontas dos dedos”

Quinta Anema
Courela da Ponte Velha
7050-467 Lavre
Como chegar
+351 265 894 405
anema@anema.com.pt
www.anema.pt

Apresentado por
Rita Santos, Comida Independente


Texto de Patrícia Serrado
Fotografias de Vânia Rodrigues

“A produção de queijo também serve para criar trabalho para a sociedade, sobretudo para os jovens que, hoje em dia, só sabe fazer isto”, diz Jan Anema, exemplificando, com os polegares, os movimentos feitos no telemóvel. “Não têm calos nas mãos. Só nas pontas dos dedos”, acrescenta com uma gargalhada. investimento e cuidados que são depois colhidos”, salienta o nosso anfitrião.
Para desvirtuar esta realidade, fundou a Escola Viva, programa de visitas destinado “a jovens que só vivem no mundo virtual”. Esta inscrição está no site da Quinta da Anema, propriedade localizada em Courela da Ponte-Velha, junto às margens da ribeira de Lavre, freguesia do concelho de Montemor-o-Novo, onde a grande aposta recai na produção, em modo biológico, de queijo tipo Gouda.
Falamos de Jan e Elisabeth Anema, o casal de holandeses que, “farto de fazer queijo todos os dias” decidiu, em 1987, vir para Portugal, com o objectivo de se dedicar a um projecto de acção social. Começou com uma vacaria, em Lavre, no concelho de Montemor-o-Novo, Alentejo. Seguiu-se a compra a quinta. O enfoque estava, nesse tempo, na produção de leite. “Chegámos a ter 80 vacas.”  A crise do leite levou ambos retomarem, em 2010, o ofício já praticado na Holanda: a agricultura e a produção de queijo em modo biológico.
Ao invés de optarem por “vacas fast food”, ou seja, de produção intensiva – “porque essas vacas são como os desportistas de alto nível, qualquer coisinha vão abaixo; não aguentam, têm de ser mimadas o dia todo, estão nos cuidados intensivos e, assim, respondem bem, mas não é compatível com a nossa produção de queijo” – optaram por “vacas slow food, com alimentação à base de forragens”. A raça chama-se Blaarkop e são, neste momento, 15.
Jan Anema apenas tira partido do leite destes animais. Aquele é usado na produção de queijo tipo Gouda, o mais comum no país natal do casal proprietário da Quinta da Anema. O fabrico, no qual utiliza equipamento tradicional, é feito em modo biológico. O processo está totalmente legalizado – possui a certificação de Agricultura Biológica e o selo do CSS. Apesar de se tratar de um trabalho, fisicamente, extenuante e de exigir um enorme cuidado com a produção, Jan Anema quer dar prioridade à produção de queijo através de práticas sustentáveis e com o consequente respeito pelo património rural.