Venâncio Fernandes, de 67 anos, começou a pescar lampreia aos sete anos, com o pai, no rio Minho. Desde que se reformou, dedica-se mais ativamente ao ofício e à Pesqueiras – Associação Dos Pescadores do Rio Minho, da qual é presidente.
Pesqueiras – Associação Dos Pescadores do Rio Minho
Charneca
4960-010 Melgaço
Alvaredo
+351 961 132 009 (Venâncio Fernandes)
Facebook/@Pesqueiras- Associação dos Pescadores do Rio Minho
Apresentado por
João Rodrigues
Texto de Teresa Castro Viana
Fotografias de Joana Freitas
“Sou pescador no rio Minho há 60 anos”, afirma, orgulhoso, Venâncio Fernandes, de 67. Nasceu numa família de pescadores e começou cedinho, com sete anos. “Saía da escola primária e ia ter com o meu pai ao rio.”
Desde essa altura, ganhou o “bichinho pelo rio, aquele amor, aquele carinho”. Fez o serviço militar, foi guarda fiscal mas, quando se reformou, passou a dedicar-se à pesca a tempo inteiro. “Eu tenho o rio como se de uma pessoa de família se tratasse.”
O rio Minho tem duas classes de pesca: a profissional e a de sobrevivência, exercida nas pesqueiras, construções de pedra de grandes dimensões, localizadas nas margens dos rios. “Há uma escala de rodagem datada de 1947, altura em que existiam 694 pesqueiras do lado português. Hoje poderão estar ativas umas 200 e poucas” mas com as espécies em vias de extinção – “de há três anos para cá, noto que há muito menos” –, não vale a pena ativar mais. “No rio, como tudo na vida, há o bom e o mau.”
Defende que o “futuro da pesca no rio Minho está nas mãos das novas gerações” e, embora reconheça que há quem queira prolongar o legado, admite que “se um rapaz novo vai ao rio e chega com pouco ou nada, começa logo a desanimar. Perde tempo, investe em redes, é muito complicado.” Este ano, excepcionalmente, a época de pesca da lampreia começará a 1 de março, quinze dias depois do habitual, “para ver se entra mais lampreia no rio”.
Venâncio Fernandes é também presidente da Pesqueiras – Associação Dos Pescadores do Rio Minho, cuja missão passa por divulgar a rainha do rio Minho e por não deixar cair o ofício no esquecimento. “O rio Minho só me dá despesas”, confessa, mas ensinou-lhe tudo. “Brinquei nas margens do rio, com ovelhas e gado, aprendi a nadar no rio, e um dia quero despedir-me e agradecer-lhe por tudo o que me deu.”